Figura 2 - Benjamin Franklin contribuiu para o progresso da ciência inventando os bifocais em 1784
Lentes de Contato
A primazia das idéias relativas às lentes de contato está registrada nos escritos de Leonardo da Vinci (1452-1519). Apesar de outros antigos estudos teóricos realizados por René Descartes em 1637 e Thomas Young em 1827, a lente de contato só saiu do anonimato das pesquisas e se popularizou após 1950.
Entretanto a verdadeira origem dos óculos tem levantado muitas conjecturas e controvérsias e nem todas são baseadas em evidências históricas precisas. De fato, não existiu um único inventor dos óculos, mas sim inúmeras pessoas anônimas, tanto no Oriente quanto no Ocidente, que foram contribuindo aos poucos, ao longo dos anos, para aperfeiçoar este valioso instrumento visual para a humanidade.
Tudo indica que uma armação montada com um par de lentes para se colocar na frente dos dois olhos, com a finalidade de leitura, surgiu em Veneza entre 1270 e 1280, pois esta próspera cidade e a vizinha ilha de Murano dominavam o comércio de vidro naquela época. Ao mesmo tempo também, no extremo Oriente, se desenvolvia na China o aperfeiçoamento dos óculos, pois o conhecimento se intercambiava depressa ao longo das rotas de comércio na Ásia Central abertas por Genghis Khan.
É interessante citar que na igreja Santa Maria Maggiore de Florença, no túmulo de Salvino d´Armato, morto em 1317, está gravada na sua lápide a seguinte inscrição:
"Aqui jaz Salvino d´Armato, de Florença, Inventor dos óculos; Deus perdoe seus pecados. Anno D. MCCCXVII".
No entanto essa paternidade é controversa, a começar pela construção do seu próprio túmulo com um busto de um desconhecido Greco-Romano do ano 100 A D.
Na Renascença, o desenvolvimento intelectual e cultural aumentou de forma muito acentuada paralelamente ao desenvolvimento técnico e científico. E certamente existiram dois grandes marcos nesta evolução: um foi a invenção tipográfica por Gutemberg em 1440, e o outro foi a invenção dos óculos que possibilitou a leitura das letras pequeninas que surgiram com a imprensa. Naquela época, usar óculos significava ter um grande saber, denotava cultura e erudição e era símbolo de status e nobreza.
Na Europa daqueles tempos, os pioneiros na fabricação de lentes de cristal lapidado e vidros ópticos foram o vidreiros de Veneza, ficando famosa a oficina de arte vidreira de Murano. Lá foram produzidas as primeiras lentes lapidadas para a civilização ocidental enxergar melhor. Aos poucos este conhecimento foi se difundindo e se estabelecendo em outras cidades da Europa, tais como Nuremberg e Augsburg na Alemanha e Rouen e Flanders na França.
Entretanto, não se encontravam óculos por toda parte. Eles eram raros, custavam caríssimo e eram considerados verdadeiras jóias. Seu valor era tal que eram relacionados em inventários de bens de família e deixados em testamentos como herança, assim como fez Charles V, o sábio, rei da França (1364-1380).
Existe um registro histórico na China, durante a dinastia Ming (1260-1368), que um rico senhor trocou uma parelha de finos cavalos de raça por um par de óculos.
Usos
No início eles começaram a ser usados somente para a visão de perto, para leitura, para corrigir a Presbiopia ou "vista cansada". Aos poucos eles passaram a ser usados também para a correção da Hipermetropia. Entretanto o primeiro registro do uso para a Miopia só foi feito em 1441 por Nicolaus Cusanus em seu livro "De Beryllo". Já a correção do Astigmatismo, por meio de lentes cilíndricas, só aconteceu bem mais tarde, na Inglaterra, em 1827.
No início eles começaram a ser usados somente para a visão de perto, para leitura, para corrigir a Presbiopia ou "vista cansada". Aos poucos eles passaram a ser usados também para a correção da Hipermetropia. Entretanto o primeiro registro do uso para a Miopia só foi feito em 1441 por Nicolaus Cusanus em seu livro "De Beryllo". Já a correção do Astigmatismo, por meio de lentes cilíndricas, só aconteceu bem mais tarde, na Inglaterra, em 1827.
Antes disso, em 1611, Kepler já havia introduzido o uso de prismas. E, em 1784, Benjamin Franklin, o famoso estadista americano, que também era inventor, cientista e filósofo, inventou os bifocais, que tanto benefícios trouxe às gerações futuras. A introdução dos multifocais só foi possível há relativamente pouco tempo, com o avanço da tecnologia de fabricação de lentes nos anos 70.
Artes
A primeira manifestação dos óculos nas artes é um quadro de Tommoso da Morena, datado de 1352, que está na Igreja de São Nicolo em Treviso, na Itália. Representa o rosto do Cardeal Hugo de Treviso usando um daqueles óculos primitivos que consistiam de duas lentes redondas com aros de metal unidas por um pino central em cima do dorso do nariz.
São Jerônimo, padroeiro dos óticos, tradutor da Bíblia para a língua latina, conhecida como "Vulgata", sempre é representado junto com um leão, uma caveira e um par de óculos. Entretanto estas pinturas, realizadas em datas bem posteriores, tem um caráter simbólico, pois na época em que viveu (347 AD - 420 AD) os óculos não tinham sido ainda inventados.
Na linguagem simbólica dos místicos cristãos podemos entender o leão como representando a força e a coragem, a caveira simbolizando a mortalidade do homem carnal e os óculos significando a visão, tanto a exterior, dos olhos como órgãos dos sentidos, quanto a visão interior da consciência.
Literatura
Na literatura, o livro mais antigo que trata dos óculos é o trabalho de Nicolaus Cusanus, publicado em 1441, intitulado "De berillo". Depois vem o "Uso de los antojos" de Benito Daça de Valdes (Sevilla, 1623). E "L´occhiale all´occhio" de Carlo Antonio Manzini (Bologna, 1660).
Fonte: Dr. Mario Luiz Camargo
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