Hoje temos conhecimento que a óptica existe pelo menos 300 a.C., triste é aquele que pensa que o nosso setor está apenas engatinhando e não sabe como é longa a estrada do segmento óptico.
Devemos tudo
isto a técnica que construíram as alicerces da óptica brasileira e
principalmente a óptica mundial feche os olhos por vários minutos ou até
mesmo segundos, para lembrar como é triste não ter visão e viver na
escuridão.
Lembre-se que pesquisadores, técnicos, físicos matemáticos e até médicos estudam anos e anos, sem cansar para melhorar a qualidade de vida do homem, isto começa com Ter uma visão perfeita, já que 80% dos reflexos do ser humano são baseados e direcionados a visão, que às vezes ocorre com a correção de ametropias. Só sendo possível somente com a descoberta das lentes, seja corretiva, de segurança ou de proteção.
A HISTÓRIA DAS LENTES
A história das lentes é a substância de uma sociedade, que só aos homens cabe a construção de cada estrutura social.
O processo de construção opera uma dimensão que partindo do real a
memória é um elemento permanente do vivido, acendendo o processo de
mudança ou conservação.
O resgate da memória do segmento óptico revela o desejo natural de
evolução dos homens. Após o período Colonial em que a entrada da técnica
não era possível sem a autorização da metrópole portuguesa.
Após a independência, e principalmente a partir do período
regencial, a país passaria a receber cientistas, viajantes e
principalmente técnicos especializados. O chamado "mecânico oculista"
seria o primeiro profissional óptico no Brasil.
A pesquisa acadêmica levou para a corte imperial brasileira, um rei
menino, estimulava a vinda de um técnico de óptica ao país. Com efeito,
temos o estabelecimento da grande aventura da história da produção de
óculos no Brasil - peça por peça, uma jóia rara, um bem extraordinário,
uma marca pessoal, um símbolo de sabedoria, vários papéis e um conceito
dinâmico do homem.
A visão, a refração e a reflexão da luz são fenômenos que sempre
atraíram o ser humano. O polonês Witelo, no século XIII, escreveu
Tratado de óptica, o autor descreve uma história da Antiguidade
conhecida na Europa medieval: os lendários espelhos de arquimedes que
funcionaram como as primeiras lentes.
Durante a antiguidade clássica, o termo "ocularium" era utilizado
para designar os orifícios feitos nos elmos que protegiam a cabeça dos
soldados para que pudessem enxergar. A palavra "óculos" é derivada do
termo "ocularium".
Por volta do século IV a.C., Euclides escreveu a Óptica, com base
na idéia de que o tamanho dos objetos era determinado pelo o ângulo sob o
qual eram olhados.
Já Ptolomeu, durante o século II a.C., também escreveu uma obra
denominada Óptica. Sua linha de pensamento era diferente da de Euclides:
em vês de considerar relevante apenas o ângulo visual, o foco serão os
comprimentos.
Entre os séculos IX e XI, avançaram os estudos sobre a Óptica.
Apenas no século XII, mil anos após Ptolomeu, a Europa se volta
novamente ao estudo de visão de objetos.
Segundo Plutarco, para reverenciar o guarda o "fogo" vindo do sol, os sacerdotes utilizavam um pavio de tecidos e uma lente do tamanho de meia laranja.
O comércio de pedras polidas em 700 a.C. um doa mais destacados
médicos Rufo e Éfeso, pesquisou o uso das lentes e desenhou diagrama do
globo ocular.
Temos registros do polimento de pedras na América pré-colombiana, principalmente entre mais e incas, e também na China.
Por volta de 2280 a.C, as lentes de quartzo ou ametista eram
utilizadas na China para observar estrelas. Aliás, a fabricação de
vidros no período não ficou restrita a China. No mediterrâneo, os
fenícios já dominavam a técnica do vidro.
Sabemos que, os cristais polidos já eram utilizados para aumentar o tamanho dos objetos e das letras.
A partir do início do segundo milênio o desenvolvimento das chamas
"pedras de leitura". Época medieval, a cultura letrada ficou restrita à
Igreja. Foi entre os monges, em especial entre os monges copistas, que
surgiu o primeiro par de óculos na Europa.
O primeiro par de lentes com arcos de ferro unidos por rebites foi
descoberto na Alemanha, durante o século XIII. Ainda nesse mesmo século
temos já a fabricação de óculos em Florença.
Essas armações montadas com um par de lentes eram utilizadas para a leitura religiosa procuravam óculos que melhorassem sua "visão de perto".
Este primeiro modelo era elaborado em forma de uma letra "V"
invertida, com duas lentes presas por um rebite, apoiando-se no dorso do
nariz sem as hastes laterais.
As lentes eram de cristal de quartzo ou pedras semipreciosas. As lentes lapidadas e polidas de berilo eram das mais procuradas, pela nitidez proporcionada e pelo brilho - aliás, foi berilo que derivou a palavra "brilho".
O inglês Robert Grosseteste deu grande impulso a óptica, estudando
as lentes principalmente a refração. O franciscano Roger Bacon deu
continuidade aos estudos de Grosseteste, mas sem dúvida foi o
franciscano inglês John Pecham que difundiu a óptica e o próprio
comércio de óculos quando escreveu um manual sobre o tema, muito popular
na Europa Central.
Primeiros comerciantes de óculos eram geralmente joalheiros. O
conhecimento técnico de ourivesaria e lapidação de jóias foi fundamental
para eles. Os óculos eram encarados como um instrumento técnico e
também como uma jóia, e seu custo era alto. Eram fabricados
principalmente em Veneza, como afirma o historiador italiano Trasselli.
A chegada dos livros impressos estimulou a aptidão literária, e
temos um incremento na produção de óculos, que passam a ser encarados
como um símbolo de sabedoria.
Os primeiros grandes editores de livros na Europa, os quais vendiam
livros e conjuntamente ofereciam óculos para a leitura. As famílias de
editores de Usque, de Ferrara, Sonsino, de Ancona. Modelo elaborado em
forma de letra "V" invertida, com duas lentes presas por um rebite
apoiando no dorso do nariz sem hastes laterais.
A produção de óculos irá concentrar-se na Itália e na Alemanha, mas
tanto Espanha e Portugal como Holanda e França iniciaram uma produção
baseada em artesãos.
Na França temos Óptica Thomin, que em 1746 inicia uma produção de armações de diversos materiais, do marfim ao ouro.
Já neste período, entre os séculos XV e XVII, eram mais utilizados
dois modelos de óculos: o pincenê e lonhão. O pincenê, sem hastes, era
ajustado no nariz e o lonhão tinha uma haste lateral presa a uma armação
que era colocada diante dos olhos, apoiada no nariz. Já no século XVII,
entretanto, as hastes fixas eram apoiadas nas orelhas. As armações eram
feitas de couro, marfim, chifre, ouro, ferro, casco de tartaruga e
diversas ligas metálicas.
Sem dúvida Galileu Galilei deu grande pulso no desenvolvimento da
óptica no início do século XVII, apresentando o telescópio no alto da
torre da Igreja de São Marcos, em Veneza.
Verão de 1609: chega às mãos do Galileu Galilei(1564-1642). Era a
descrição de um instrumento construído na Holanda, que permitia enxergar
objetos distantes como se estivessem próximos. Tomando por modelo essa
luneta holandesa, Galileu fabrica, ele mesmo, um aparelho semelhante,
capaz de aumentar nove vezes o tamanho parente dos objetos. O holandês
que fabricou a luneta em 1608foi Hans Lippeerhey.
As pesquisas trouxeram uma melhor compreensão da refração da luz,
principalmente após a invenção do bifocal por Benjamim Franklin na
Segunda metade desse século XVIII.
Em 1606, na cidade de Florença, o português Filipe Montalto vai difundir a utilização das lentes côncavas para miopia.
Um dos primeiros registros da presença de óculos na colônia vem da
coleção de Inventários e Testamentos do Arquivo Histórico do Estado de
São Paulo e do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro.
A expansão das encomendas e da utilização de óculos no Brasil colonial deu-se durante o século XVIII.
A expansão das encomendas e da utilização de óculos no Brasil colonial deu-se durante o século XVIII.
Os primeiros óculos começam a ser fabricados ainda totalmente
artesanais, produzidos pelos chamados "técnicos oculistas", que chegavam
vindos da Europa.
Os oculistas mecânicos eram técnicos muito comuns no continente
europeu. Desde o final da Idade Média, vinham acumulando grande
conhecimento de óptica, que iam transmitindo aos técnicos aprendizes.
Possuíam geralmente uma ou várias caixas de provas com lentes alemãs,
austríacas, italianas, inglesas e francesas.
O oculista mecânico joseph Herschel nasceu na Alemanha, seu
trabalho consistia em fixar moradia em determinada cidade de 90 a 120
dias, e durante este período anunciar a fabricação de óculos.
Herschel levava consigo uma caixa de palavras com modelos de lentes
de "pedra papel inglesas" ou "cristal de rocha lapidado alemão ou
francês". A caixa de provas e suas inúmeras lentes tinham como objetivo
realizar a refração, para depois iniciar o processamento artesanal das
lentes e a confecção dos óculos.
A maioria dos oculistas que atuaram no século XIX no Brasil fazia
suas armações de uma liga metálica. Utilizavam também ouro, prata e
casco de tartaruga.
A documentação sobre a vinda de Herschel ao país e os serviços por
ele executados indica que, como técnico oculista bastante experiente,
ele recebeu muitas encomendas de óculos de leitura, entre as quais a de
um par para uma criança, feita pelo Dr. Roque Schuch. Essa criança era
Dom Pedro II.
É interessante notar um auto-retrato feito pelo jovem príncipe aos 9 anos de idade, em que ele é representado de óculos.
O imperador Dom Pedro II, bem mais tarde, já adulto e com anos de
reinado, encomenda a Herschel uma peça valiosa: um pincenê de lentes
ovais e armações em ouro e casco de tartaruga, tendo na base arco
direito uma coroa imperial com as letras PII. A peça foi preservada por
muitos anos pela família imperial brasileira, e atualmente encontra-se
no Museu Inaldo de Lyra Neves - Manta, pertencente à Academia Nacional
de Medicina.
O técnico oculista Joseph Herschel chegou ao Recife no dia 26 de
agosto de 1835. Após breve acordo com Geiger, iniciou um comércio
próprio, publicando um anúncio no jornal Diário de Pernambuco vejamos o
que dizia: José Herschel, Oculista Mecânico, tem a honra de oferecer a
sua arte como oculista e igualmente fazer e consertar toda a qualidade
de óculos, para qualquer vista, por mais débil que seja, tanto para ver
de perto como de longe.
Por isto suplica ao público que lhe honre com a sua concorrência
que ele tratará de servi-lo à sua satisfação: as pessoas pessoas que
não puderem ir a sua casa, poderão mandar chamá-lo que ele prontamente
servirá. A sua residência é na Ponte Velha em frente à casa do Catão e
das doze horas do dia até as duas da tarde na rua Cruz número 10.
As armações de provas do século XIX chegaram ao país com oculistas
mecânicos. A parte superior era utilizada para medir a distância
interpupilar com um dispositivo que variava de acordo com a altura da
base do nariz. Nas laterais, rodas dentadas para girar cilindros, e no
centro, espaço para as lentes.
O grande "óptico cientifico" da capital paulista era Leopold Stern,
respeitando no país a na América do Sul, como mostra o intercâmbio
técnico que existia entre ele e o optometrista inglês Robert Hammersley
Symens, que confeccionava óculos no Chile e na Argentina. Seu sucesso
comercial foi tão intenso que ele rapidamente abriu um consultório onde
realizava exames e receitava óculos.
Um dos grandes agentes de importação de lentes utilizando por Stern
era Jacob Levy. Estabelecido em São Paulo e no Rio de Janeiro, Levy
importava lentes francesas azuis e armações.
Leopold Stern deu grande impulso à óptica no Sudeste. Além de caixa de provas, também utilizava inúmeros equipamentos ópticos.
Leopold Stern deu grande impulso à óptica no Sudeste. Além de caixa de provas, também utilizava inúmeros equipamentos ópticos.