quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Artigo Luiz Amorim / OFTALMOLOGISTAS X OPTOMETRISTAS, quem vencerá esta queda de braço?



O POVO BRASILEIRO PRECISA ENXERGAR MAIS LONGE

 
Tenho convivido com médicos nestes últimos trinta e cinco anos, e aprendido com eles, a melhor forma de conduzir a relação profissional. Estes profissionais são extremamente exigentes, corporativistas, e apesar de existir uma competição acirrada entre as especialidades da classe, os mesmos reagem de forma aguerrida contra as ameaças ao seu status quo.

É compreensível que eles lutem pela preservação dos direitos, porém não explicável esta perseguição implacável contra os optometristas, afinal estes últimos, cada vez mais buscam a excelência para assegurar o bem estar dos clientes/pacientes que necessitam de seus cuidados profissionais.

Não sou especialista neste tema, porém como expectador privilegiado deste cenário, posso emitir uma opinião sobre o futuro previsível para esta contenda.

Algumas terapias orientais, milenarmente reconhecidas, a exemplo da acupuntura, tiveram grandes dificuldades para seu acolhimento como especialidade médica, contudo hoje, esta atividade é reconhecida e produz seus efeitos benéficos sobre o tratamento de muitas patologias. Muito tempo se perdeu em competições corporativistas para evitar este reconhecimento, deixando a população carente de terapia alternativa para minorar seu sofrimento.

Embora a optometria não se arvore o direito de ser especialidade médica, como não o é, parece que suas reivindicações soam como tal aos olhos e ouvidos dos oftalmologistas. O ato médico é um grito de alerta para a classe, porém não se justifica como cidadania, pois, a população mais carente, é a grande perdedora nesta competição de gigantes. Lembro-me até daquele dito popular "Na briga do mar e o rochedo, quem acaba perdendo é o molusco que não tem nada que ver com a competição".

Tenho sabido de alguns casos onde os contendores que antes se engalfinhavam, hoje são parceiros, e estão ganhando muitos pacientes e honorários generosos.  Um optometrista amigo, me contou que foi acusado de charlatanismo por dois oftalmologistas, e a polícia após algemá-lo o recambiou  até a delegacia.
 
Depois de instaurado o inquérito, ficou provado sua inocência e o mesmo retornou às suas atividades. Atualmente ele encaminha pacientes com patologias ao oftalmologista seu detrator e àquele lhe encaminha pacientes para refração. Está aí um belo exemplo de coexistência pacífica que tantos benefícios proporcionam aos atores deste espetáculo da vida que é a visão.

A maior parte das guerras travadas desde tempos imemoriais até os atuais ocorreram por falta de diálogo civilizado entre as partes. Neste caso em particular, muito resta a fazer, porém alguma instituição ou organismo de grande credibilidade precisa entrar no jogo. A população das periferias de grandes metrópoles, bem como as cidades do interior do Brasil, possui  carência de atendimento e podem gerar muitos serviços para ambas as parte interessadas nesta contenda, a saber: oftalmologistas e optometristas.

Recentemente os Estados Unidos resolveram retirar seus soldados do Iraque, que para lá foram enviados em missão de guerra contra um inimigo fragilizado, com a justificativa que aquele inimigo desenvolvia armas químicas. Após gastarem vários bilhões de dólares e sacrificarem mais de 5.000 soldados, descobriram que não existiam armas químicas naquele país.

Da mesma forma, se esta queda de braço injustificada não for debelada em tempo, muitos perderão grandes oportunidades, notadamente a população mais carente que não possui recursos para acesso aos serviços de saúde.
 
A população brasileira está envelhecendo, e as patologias que necessitam de tratamento especializado como as cataratas, estão enchendo os consultórios do país. Os oftalmologistas ainda em número insuficiente para atender esta demanda, deveriam iniciar uma mudança de atitude para cuidar mais das patologias e permitir ao optometrista fazer seu trabalho de coadjuvante neste cenário.

Esta é uma via de mão dupla onde os consultórios oftalmológicos mais inteligentes completarão suas agendas de cirurgias com pacientes oriundos também dos optometristas aliados, e, os optometristas por seu turno, receberiam as refrações demandadas por estes consultórios.

Este seria o melhor espetáculo para os olhos de quase 200.000.000 de pessoas, as quais, mais cedo ou mais tarde, necessitarão dos serviços de saúde para seus olhos. Numa visão de marketing, também importante neste episódio, eu diria que se vencidas as supostas ameaças aos interesses corporativistas, se estabeleceria uma parceria do tipo "GANHA GANHA".

Com a palavra: Governo Federal, Parlamentares, OAB, CREMEB, e outras instituições interessadas. O POVO BRASILEIRO PRECISA ENXERGAR MAIS LONGE, E, 2014 VEM AÍ!

Fonte: Luiz Amorim

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