O POVO BRASILEIRO PRECISA ENXERGAR MAIS LONGE
Tenho convivido com médicos nestes últimos trinta e cinco anos, e
aprendido com eles, a melhor forma de conduzir a relação profissional.
Estes profissionais são extremamente exigentes, corporativistas, e
apesar de existir uma competição acirrada entre as especialidades da
classe, os mesmos reagem de forma aguerrida contra as ameaças ao seu
status quo.
É compreensível que eles lutem pela preservação dos direitos,
porém não explicável esta perseguição implacável contra os
optometristas, afinal estes últimos, cada vez mais buscam a excelência
para assegurar o bem estar dos clientes/pacientes que necessitam de seus
cuidados profissionais.
Não sou especialista neste tema, porém como expectador
privilegiado deste cenário, posso emitir uma opinião sobre o futuro
previsível para esta contenda.
Algumas terapias orientais, milenarmente reconhecidas, a
exemplo da acupuntura, tiveram grandes dificuldades para seu acolhimento
como especialidade médica, contudo hoje, esta atividade é reconhecida e
produz seus efeitos benéficos sobre o tratamento de muitas patologias.
Muito tempo se perdeu em competições corporativistas para evitar este
reconhecimento, deixando a população carente de terapia alternativa para
minorar seu sofrimento.
Embora a optometria não se arvore o direito de ser
especialidade médica, como não o é, parece que suas reivindicações soam
como tal aos olhos e ouvidos dos oftalmologistas. O ato médico é um
grito de alerta para a classe, porém não se justifica como cidadania,
pois, a população mais carente, é a grande perdedora nesta competição de
gigantes. Lembro-me até daquele dito popular "Na briga do mar e o
rochedo, quem acaba perdendo é o molusco que não tem nada que ver com a
competição".
Tenho sabido de alguns casos onde os contendores que antes se
engalfinhavam, hoje são parceiros, e estão ganhando muitos pacientes e
honorários generosos. Um optometrista amigo, me contou que foi acusado
de charlatanismo por dois oftalmologistas, e a polícia após algemá-lo o
recambiou até a delegacia.
Depois de instaurado o inquérito, ficou provado sua inocência e o
mesmo retornou às suas atividades. Atualmente ele encaminha pacientes
com patologias ao oftalmologista seu detrator e àquele lhe encaminha
pacientes para refração. Está aí um belo exemplo de coexistência
pacífica que tantos benefícios proporcionam aos atores deste espetáculo
da vida que é a visão.
A maior parte das guerras travadas desde tempos imemoriais até
os atuais ocorreram por falta de diálogo civilizado entre as partes.
Neste caso em particular, muito resta a fazer, porém alguma instituição
ou organismo de grande credibilidade precisa entrar no jogo. A população
das periferias de grandes metrópoles, bem como as cidades do interior
do Brasil, possui carência de atendimento e podem gerar muitos serviços
para ambas as parte interessadas nesta contenda, a saber:
oftalmologistas e optometristas.
Recentemente os Estados Unidos resolveram retirar seus soldados
do Iraque, que para lá foram enviados em missão de guerra contra um
inimigo fragilizado, com a justificativa que aquele inimigo desenvolvia
armas químicas. Após gastarem vários bilhões de dólares e sacrificarem
mais de 5.000 soldados, descobriram que não existiam armas químicas
naquele país.
Da mesma forma, se esta queda de braço injustificada não for
debelada em tempo, muitos perderão grandes oportunidades, notadamente a
população mais carente que não possui recursos para acesso aos serviços
de saúde.
A população brasileira está envelhecendo, e as patologias que
necessitam de tratamento especializado como as cataratas, estão enchendo
os consultórios do país. Os oftalmologistas ainda em número
insuficiente para atender esta demanda, deveriam iniciar uma mudança de
atitude para cuidar mais das patologias e permitir ao optometrista fazer
seu trabalho de coadjuvante neste cenário.
Esta é uma via de mão dupla onde os consultórios oftalmológicos
mais inteligentes completarão suas agendas de cirurgias com pacientes
oriundos também dos optometristas aliados, e, os optometristas por seu
turno, receberiam as refrações demandadas por estes consultórios.
Este seria o melhor espetáculo para os olhos de quase
200.000.000 de pessoas, as quais, mais cedo ou mais tarde, necessitarão
dos serviços de saúde para seus olhos. Numa visão de marketing, também
importante neste episódio, eu diria que se vencidas as supostas ameaças
aos interesses corporativistas, se estabeleceria uma parceria do tipo
"GANHA GANHA".
Com a palavra: Governo Federal, Parlamentares, OAB, CREMEB, e outras instituições interessadas. O POVO BRASILEIRO PRECISA ENXERGAR MAIS LONGE, E, 2014 VEM AÍ!
Fonte: Luiz Amorim
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