
As primeiras armações de óculos de ferro, manufaturadas na Itália, final do século XIII, eram pesadas, feias e nenhum exercício de futurologia previa que óculos fariam tanto sucesso na Europa, menos ainda que, um dia, seriam acessórios de moda, com uma variedade enorme de materiais diferentes.
O ferro foi substituído por metais nobres, até a criação do plástico no século XIX, quando tudo mudou. Na verdade, o galalite, anterior ao plástico, ocorreu na Inglaterra como alternativa ao uso do casco da tartaruga, que já sofria processo de dizimação, e como substituto do marfim, com o qual eram confeccionadas as bolas de sinuca. As pesquisas para a criação desse material, totalmente revolucionário, passaram a ser também realizadas nos Estados Unidos, mas a Inglaterra obteve antes a patente de fabricação da nova resina, que mudou o uso e aplicação de materiais de natureza animal.
O que se previa menos ainda é que armações poderiam, um dia, vir a ser industrializadas com a tal resina que, inicialmente, chamou-se galalite e depois adotada, definitivamente, sua denominação como plástico. A partir dos anos de 1920, aparecem no mercado as primeiras armações de plástico na Europa, adotadas rapidamente pelo restante dos fabricantes internacionais. Quando usamos um par de óculos de acetato, não imaginamos que aquela peça bonita e confortável tem por trás uma história tão longa de estilo e processos industriais contínuos, porque nos anos de 1990 surgiram metais com novas ligas endurecidas e daqui a dez ou vinte anos, outros materiais deverão aparecer para fazer da armação uma peça cada vez mais leve, elegante e confortável.
- Miguel Giannini
- Um dos mais reconhecidos estetas ópticos do Brasil. Atua há mais de quarenta anos na área óptica e desenvolve um trabalho com personalização de óculos, inclusive de muitas personalidades.
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