sábado, 24 de maio de 2014

Os olhos e sua relação com a detecção da doença de Alzheimer

Não existe uma certeza com relação a quem disse a célebre frase "os olhos são espelhos da alma". Muitos dizem que foi Leonardo Da Vinci, outros que o autor foi Edgard Allan Poe, escritor estadunidense. E há também quem afirme que Jean-Baptiste Alphonse Karr, jornalista francês, cunhou a referida sentença.
Uma coisa, porém, é certa: a frase expressa uma realidade concreta.
Os olhos revelam, por exemplo, os efeitos da poluição no coração, documentam a pressão arterial, indicam a orientação sexual, entregam se alguém está mentindo e, também, o aparecimento da doença de Alzheimer.
Esta última função surgiu de um experimento em ratos feito por pesquisadores da Georgetown University Medical Center, nos EUA, e da Universidade de Hong Kong, China, que, de modo geral, consistiu na análise da retina dos animais, que foram geneticamente modificados para desenvolver Alzheimer.
Ao contrário de estudos anteriores, neste caso, os cientistas mediram a espessura da retina, incluindo sua parte ou camada interna e as células ganglionares. Assim, descobriram que os ratos com Alzheimer tiveram uma redução significativa da espessura das camadas em análise. Os ratos saudáveis não apresentaram mudanças substanciais em suas retinas.
Scott Turner, diretor do programa de distúrbios de memória do Centro Médico da Universidade Georgetown e autor do estudo, observou que ambas as camadas de células da retina são reduzidas quando há Alzheimer: perda de 37% dos neurônios da nuclear interna e de 49% da de células ganglionares, em comparação com outros camundongos saudáveis da mesma idade. Nos seres humanos, a estrutura e a espessura da retina podem ser prontamente medidas com exames de tomografia de coerência óptica, que facilitaria diagnósticos precoces.
Os autores da pesquisa destacam que o estudo não é conclusivo, pelo que há muito que se pesquisar. No entanto, abre-se a possibilidade de poder detectar esta doença grave através dos olhos, uma vez que esses estão relacionados com o cérebro e algumas das suas atividades mais importantes.
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que afeta o cérebro e algumas de suas funções, principalmente cognitiva e comportamental, geralmente em pessoas com 65 anos ou mais. Um dos sintomas mais comuns da doença é a incapacidade de adquirir novos conhecimentos e usar a memória - a imediata se perde gradativamente junto com outras habilidades mentais. É atualmente a forma mais comum de demência, além de ser incurável e terminal. Desde seu diagnóstico, costuma durar cerca de dez anos.
Os especialistas costumam passar algumas simples recomendações que provavelmente prevenirão ou retardarão o aparecimento desta enfermidade, como levar um estilo de vida saudável, se exercitar e, acima de tudo, manter o cérebro ativo. Há evidências de que essa última prática ajuda contra as doenças cognitivas.
A recomendação, para tanto, é ler, aprender coisas novas como línguas ou um ofício, analisar constantemente coisas de interesse, praticar um esporte ou arte ou escrever. Estas simples atividades cotidianas evitarão problemas futuros.
Já as pessoas que se encontram na idade propensa ao Alzheimer precisam realizar exames para verificar a existência dessa doença. Se diagnosticada, há algumas opções que, embora não curem a condição, possibilitam a melhor vida possível.

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